DESMONTAGEM
Nas desmontagens, retiramos cuidadosamente os materiais presentes em imóveis que serão demolidos ou reformados. Avaliamos previamente o potencial de reuso de cada elemento, desmontamos os materiais viáveis ao reaproveitamento e devolvemos o imóvel com menor volume de descarte, redução dos custos de bota-fora e uma economia significativa de carbono.
Centro de Operações da TIM
Nessa oportunidade, a Arquivo realizou a transposição completa de um edifício: um chalé de madeira utilizado para treinamentos da equipe de uma central de operações da Tim, com demolição prevista em curto prazo em razão de problemas estruturais no entorno. Sem a possibilidade de estocagem, a operação exigiu a identificação rápida de um novo destino, viabilizada pelo interesse do Eco Centro Vila-Flor. A desmontagem ocorreu de forma simultânea ao cadastro, numeração e mapeamento das peças, criando um sistema de montagem que assegura a integridade do conjunto arquitetônico e orienta sua futura remontagem e adaptações possíveis.
A reinstalação do edifício será uma interpretação do projeto original, adaptada a um novo terreno e uso, com a conversão das antigas salas em unidades independentes e abertura para intervenções nas empenas e divisórias. Aproximadamente 12 m³ de madeira e 3.400 telhas foram preservados, gerando ganhos econômicos e operacionais para todas as partes envolvidas e garantindo a remuneração de uma equipe dedicada ao processo. A viabilidade da transposição esteve diretamente ligada à qualidade construtiva do projeto original, marcado por sistemas desmontáveis, encaixes precisos e soluções de baixo impacto, evidenciando como determinadas arquiteturas incorporam, desde sua origem, um potencial ampliado de reuso.
Quantidade de elementos retirados: 138
Peso total dos elementos retirados: aprox. 5,3 toneladas
Economia de carbono: 3608 kg CO₂ eq.
Apartamento do Edifício Carlos Costa Pinto
Desmontamos o último apartamento original da mansão Carlos Costa Pinto. O edifício, inaugurado em 1986, era o mais luxuoso de Salvador com um dos maiores apartamentos do Brasil na época (aproximadamente 1.000m²) e foi entregue aos seus primeiros moradores com 5 quartos e sala com assoalho de pau d’arco, 16 portas maciças, bancadas e revestimentos de mármore, forro de madeira, dentre muito outros materiais de luxo. 35 anos depois, todos os apartamentos já passaram por reformas e substituições precoces desses elementos, se levarmos em conta a durabilidade deles- padrão que se repete constantemente nas cidades. Catalogamos e anunciamos os materiais vindos dessa desmontagem para que esses elementos encontrem novos destinos e sua história não se perca.
Quantidade de elementos retirados: 308
Peso total dos elementos retirados: aprox. 4,3 toneladas
Economia de carbono: 8748 kg CO₂ eq.
ACBEU
O edifício da ACBEU, no Corredor da Vitória, foi nossa primeira experiência de desmontagem. Projetado em 1972 pelo arquiteto Gilberbet Chaves, autor de obras importantes como a casa de Jorge Amado e Zélia Gattai no Rio Vermelho, o edifício marcou gerações, tanto pela formação de estudantes quanto pelas atividades culturais realizadas em seu teatro e sala de exposições.
O convite do empreendimento Alive para a desmontagem prévia à demolição tornou-se um dos pilares fundadores da Arquivo. Ao viabilizar a operação sem retorno financeiro imediato e permitir o funcionamento de estoque e vendas no próprio local por seis meses, reduziu-se significativamente o risco de uma ação dessa escala. A desmontagem do ACBEU funcionou como um laboratório, no qual foram testados métodos, tempos e possibilidades de reuso, evidenciando o papel estratégico da desconstrução no metabolismo urbano e a importância do engajamento de grandes agentes do setor.
Quantidade de elementos retirados: 355
Peso total do elementos retirados: aprox. 13,3 toneladas
Economia de carbono: 33479 kg CO₂ eq.
PROJETO
Projetos construídos em que foram incorporados materiais e/ou soluções de marcenaria da Arquivo. Neles participamos ativamente da busca e seleção de peças em nosso estoque (ou na cidade de Salvador, a nossa mina urbana). Atuamos em conjunto com projetistas e clientes, propondo soluções que adaptem o projeto à realidade dos materiais reutilizados.
Estoque Ondina
A Arquivo atua como uma casa temporária para elementos arquitetônicos, operando a partir de um espaço cedido no bairro de Ondina, em Salvador, pelo grupo Civil, por um período de quatro anos. Nesse intervalo, mais de 300 toneladas de materiais foram redirecionadas, em uma ocupação do solo significativamente mais produtiva do que os usos ociosos predominantes na cidade. Na sede concentram-se as etapas de triagem, catalogação, recuperação e revenda, complementadas por uma plataforma digital que amplia o acesso aos materiais. A operação inclui ainda consultorias, mapeamento de ativos reutilizáveis e capacitação de equipes, estruturando uma cadeia que sustenta empregos diretos e serviços especializados.
A condição temporária do terreno orienta toda a lógica espacial e construtiva da Arquivo. Uma infraestrutura desmontável garante flexibilidade e adaptação, com soluções pensadas para rápida montagem e desmontagem do estoque e do escritório. Embora essa transitoriedade imponha limites, a parceria com a Civil viabiliza a operação ao enfrentar um dos principais entraves da economia circular: o alto custo de áreas para armazenamento nos centros urbanos. A partir desse sistema, materiais são continuamente reinseridos em novas obras, sobretudo em residências, reformas e pequenos comércios.
Casarão 28
No Casarão 28, da arquiteta Naia Alban, o reuso de materiais orientou diretamente o método de projeto e de obra. O processo projetual foi fragmentado em etapas menores, intercaladas por períodos de busca, seleção e aquisição de elementos a serem reaproveitados, permitindo um desenho aberto e associado às oportunidades encontradas. Essa inversão da lógica convencional reduziu retrabalhos e riscos, ao incorporar materiais disponíveis desde as fases iniciais, integrando decisões estéticas, técnicas e econômicas ao longo do desenvolvimento do projeto.
A partir de uma base espacial semelhante, definida principalmente pelas paredes históricas, os apartamentos se diferenciaram pela incorporação de peças provenientes de diferentes demolições da cidade. Portas, grades, bancadas e uma escada transplantada passaram por processos de desmontagem, restauro, adaptação e reinstalação, acompanhados pela Arquivo. A busca por elementos compatíveis com vãos e desníveis aproximados, bem como o aproveitamento integral dos componentes excedentes, estruturou um processo que resultou na reintegração de materiais oriundos de mais de 30 demolições, ampliando as possibilidades construtivas e expressivas do edifício.
Muun SPA
Muun SPA é um centro terapêutico e spa boutique que oferece serviços de bem-estar para mente e corpo, de forma integrada, holística e em contato com a natureza. A casa fica localizada em Praia do Forte, Litoral Norte da Bahia. Atuamos como consultores de reutilização para a etapa final deste projeto, sugerindo algumas das esquadrias, propondo soluções de mobiliário que atendessem à múltipla demanda dos cômodos e buscando em antiquários e no mercado de reuso cadeiras e outras peças.
As estantes, mesa e banco desenhados especialmente para cada um dos espaços foram elaborados em parceria com a Oficina Pau d’Arco. A simplicidade de instalação e execução, a produção de uma identidade de mobiliário para o spa e a viabilidade de desmontagem, transporte, adaptação e revenda no caso de uma mudança futura foram prioridades no desenho.
Quantidade de elementos reutilizados: 69
Peso total dos elementos reutilizados: 582 kg
Economia de carbono: 225 kg CO₂ eq.
Casa Calumbi
A casa Calumbi é um projeto da arquiteta Amanda Neuberger pensado para funcionar desconectada de redes de infraestrutura urbana. A participação da Arquivo no projeto foi intensa: fornecemos elementos reutilizados para forros e pisos, além de todas as esquadrias externas e internas. Um contrato de consultoria também resultou no desenho e execução das esquadrias de conexão entre cozinha e varanda. Além de auxiliar a arquiteta e a cliente a escolherem e adaptarem elementos ao projeto, ficamos responsáveis por desenhar duas esquadrias em seus mecanismos a partir de materiais reutilizados. Contrapesos de chumbo, ferragens de um antigo elevador e janelas do edifício Juvenal Pinheiro se articulam para garantir a maior abertura possível entre cozinha-varanda /casa e vista.
Quantidade de elementos reutilizados: 60
Peso total dos elementos reutilizados: aprox. 2,8 toneladas
Economia de carbono: 3960 kg CO₂ eq.
Pi.ssa
Apesar de ser uma loja, a Arquivo dedica grande parte de seu esforço no Instagram a mostrar o que foi feito com os materiais desmontados e circulados por nós. A intenção é visibilizar o que muitas vezes é impossível no estoque: a possibilidade de restauro e qualificação, através do projeto, que os materiais têm.
Ver o ouro numa montanha de materiais é uma habilidade – daí talvez venha a o uso da expressão garimpo. O restaurante Pi.ssa, na Barra, projeto do escritório Foguel Reis e Sá propôs um uso para esquadrias que estavam esquecidas há algum tempo: o uso das folhas de janelas guilhotinas incompletas (provenientes da sede da CEPLAC, no Corredor da Vitória) como fachada principal do estabelecimento.
Quantidade de elementos reutilizados: 13
Peso total dos elementos reutilizados: 432 kg
Economia de carbono: 1283 kg CO₂ eq.
Escola do Assentamento João Amazonas
Letícia Grappi é um das grandes parcerias da Arquivo. Com ela desenvolvemos metodologias próprias para lidar com materiais de reuso em projetos de arquitetura, de modo a evitar retrabalhos nas diferentes etapas do processo. A visita ao nosso estoque é feita após o anteprojeto e com os elementos comprados, executivo e complementares são feitos sob medida. As possibilidades de reinserção aumentam muito.
A associação entre reuso e arquiteturas de terra, especialidade da arquiteta, que é uma das fundadoras do Mapa da Terra, é de alta coesão: o reuso deixa de ser um detalhe sustentável em uma estrutura de projeto tradicional, para ter coerência com a totalidade da construção. A criatividade, organização e flexibilidade de Letícia e seus clientes tem dado bons frutos. Essa biblioteca em um assentamento João Amazonas é um deles – uma estrutura de madeiras reutilizadas vedada com paredes de taipa. As esquadrias aqui foram reaproveitadas para a construção.
Quantidade de elementos reutilizados: 56
Peso total dos elementos reutilizados: 1086 kg
Economia de carbono: 2507 kg CO₂ eq.
Airbnb da Nilda
Na Arquivo acreditamos que elementos reutilizados não precisam ter uma estética específica. Nossos clientes há alguns anos, Nilda e seu marceneiro Joilson (que também fabrica instrumentos com nossas madeiras) elaboraram os armários e elementos dessa cozinha para um pequeno apartamento no Morro Ipiranga. Para quem gosta de “disfarçar” o uso anterior de certos elementos, a pintura pode ser uma ótima opção.
Quantidade de materiais reutilizados: 6
Peso total de materiais reutilizados: 197 kg
Economia de carbono: 19,66 kg CO₂ eq.
CONSULTORIA
Nas consultorias, avaliamos o potencial de reutilização dos materiais presentes em imóveis que serão demolidos ou passarão por reformas radicais. A partir dessa análise, indicamos estratégias para maximizar o reaproveitamento dos elementos existentes e minimizar o volume de descarte, contribuindo para processos mais eficientes, econômicos e ambientalmente responsáveis.
Othon Hotel
Construído em 1973, o Othon Palace Hotel, de autoria do arquiteto, Paulo Casé foi um símbolo da arquitetura hoteleira baiana e dos esforços estatais, a partir da Embratur, para a criação de uma indústria turística. A qualidade da construção é impressionante: cadeiras, espelhos e mesas de centro confeccionadas pela L’atelier, Portas de Armário treliçadas de pau d’arco, forros de madeira maciça com 3,5cm de espessura. O edifício está passando por um retrofit e será convertido para o uso residencial, o que quer dizer que muitos materiais estão chegando em nosso estoque.
Estoque limitados e heterogêneos geralmente diferenciam projetos de reuso de outros feitos com materiais novos. Na experiência da Arquivo (que termina desmontando muitas residências unifamiliares), imóveis com 10 esquadrias idênticas já são de uma uniformidade incrível. Edifícios grandes mudam essa tendência e, por isso, atraem outro tipo de cliente.
MARCENARIA
Mobiliário e elementos de arquitetura criados a partir de materiais desmontados.
Banco Arco
O banco Arco faz parte do trabalho ampliado dos grupos Arquivo e Oficina Pau d’arco na criação de objetos a partir de restos urbanos.
No caso específico, o mobiliário se alimenta de pilares estruturais de massaranduba, provenientes de uma residência de praia na região de Vilas do Atlântico, e das aduelas em arco de janelas e portas de uma casa na Rua Tupinambá – Rio Vermelho – onde hoje está localizado o Ativa Atelier, da artista Lanussi Pasquali.
Para além de um interesse ecológico na reutilização, o banco participa de uma pesquisa pela procedência das coisas e por maneiras de torná-la evidente. O resgate da marcenaria, ofício em extinção na cidade de Salvador, espelha a demolição de certos tipos de arquitetura da cidade, cada vez mais vertical.
Desenho: Pedro Alban (Arquivo)
Execução: Jonas Ximenes e Guilherme Schallenbach (Marcenaria Pau d’Arco) dimensões e materiais.
Dimensões: 263x58x80cm
Ano de produção: 2020
Material: Massaranduba, Cumaru, Sucupira e Latão
Banco Alisar
O encontro com alisares de porta superdimensionados em cumaru, provenientes de uma residência projetada pelo arquiteto Ivan Smarcevski na Rua do Cedro, Horto Florestal, dão origem a esse banco.
As peças foram ocupadas em seu tamanho original (o que iguala o comprimento dos bancos ao pé direito da casa).
Desenho: Naia Alban e Pedro Alban
Execução: Antônio Arouca
Dimensões: 251x51x74cm
Ano de produção: 2022
Material: Cumaru e Metalon
Banco Mão de Amigo e Mesa Apoio Infinito
Estas peças foram concebidas por Naia Alban por meio de uma mentoria proporcionada pela Oficina Pau D´arco.
A cadeira Mão de amigo tem como partido o uso de um tronco em massaranduba, preservando a união entre vigas que nomeia a peça. A rachadura foi estabilizada por borboletas em madeira. O assento foi feito com prancha de cerejeira.
A mesa Apoio Infinito parte de uma peça de madeira, com sua faces arruinadas mantidas, que se combina a tacos de peroba paginados em espinha de peixe.
Desenho: Naia Alban
Execução: Naia Alban e Oficina Pau D’arco
Dimensões: 55x58x74cm/ 46x58x35cm
Ano de produção: 2022
Material: Massaranduba e Cerejeira/ Perba Rosa e do Campo
Estante Contínua 01
Estante inspirada na de Lina Bo Bardi para casa a Casa do Chame-Chame, que desenhamos e executamos para o fotógrafo Dander Freitas. a lógica de peças fixadas entre piso e teto por sapatas enroscáveis e rasgos para prateleiras livremente apoiadas pode se adaptar de maneira infinita a espaços diversos (desde que não haja forro entre piso e laje). A montagem simples sem parafusos também permite a fácil desmontagem e adaptação a outros espaços. Apenas dois pilares, jogo de alturas feito com barras rosqueadas (com fixação direta na viga).
Desenho: Natália Lessa
Dimensões: 127x18x225cm
Ano de produção: 2023
Material: Cumaru e sucupira
Estante Contínua 02
Aqui, foram reintegrados pisos de escada em granilite, da casa onde funcionava o colégio Sartre Coc, no Corredor da Vitória, além de peças de madeira de uma residência do caminho das árvores.
Desenho: Pedro Alban (Arquivo)
Dimensões: 380x30x305cm
Ano de produção: 2023
Material: Degraus de granilite e Peroba
Estante Nova Paisagem
Outra estante modular, dessa vez aproveitando um módulo existente na construção civil – aduelas de porta. Os nichos feitos unem duas aduelas cada um. Os batedores, virados para dentro, funcionam como uma calha que travam as caixas em pilares perfurados de modo equidistante. Parafusos simples são utilizados para fixar um ou dois nichos. Apenas duas peças – os pilares que se elevam até o travamento da viga – foram executadas sob medida.
Teoricamente, a estante pode se estender infinitamente, realizando ainda viradas em planta – um misto de mobiliário, arquitetura, e paisagem.
Dimensões: 235x40x280cm
Ano de produção: 2021
Material: Peroba e Pau D´arco
Estante do quarto Muun SPA
Série de estantes pensada a partir de peças de seção 4.5×4.5cm e restos de assoalho. Um elemento estranho (janela) se integra e molda a composição, a cada montagem. No mais, essa estante é pensada para execução semi-indústrial em serra de bancada e montagem extremamente rápida. Uso em espaços residenciais.
Desenho: Natália Lessa, Pedro Alban e Rafaela Agra
Dimensões: 315x50x216cm
Ano de produção: 2023
Material: Peroba e Pau D´arco
Casa Castanho
Esquadria desenvolvida para solucionar abertura entre o bar e salão na nova sede da Casa Castanho na Barra – projeto de Victoria Nizarala Anna de Carvalho.
A arquivo desenhou e executou a esquadria que é composta por: uma janela guilhotina retirada de um antigo casarão do Corredor da Vitória (CEPLAC), um janela de abrir feita da união de duas folhas retiradas do edifício Angelo Rôncali – um tirante de aço garante o funcionamento do grande vão.
Desenho: Natália Lessa, Rafaela Agra, Pedro Alban
Dimensões: 210x160x163cm
Ano de produção: 2023
Material: Peroba e Pau D´arco
Casa Calumbi
Resolução de duas aberturas para projeto de Amanda Neuberger em Lençois – Chapada Diamantina (BA).
Porta de correr formada pelo conjunto de três portas, fixadas entre si com barras de aço. O trilho e os mecanismos foram resgatados do elevador do edifício Wildberger, construído no bairro do comércio nos anos 30.
Janela com abertura pra cima sustentada por sistema de roldanas e contrapesos – reaproveitando folhas de janela do edifício Angelo Rôncali (Bairro da Graça – Salvador).
Desenho: Pedro Alban (Arquivo)
Execução: Seu Zé, Pedro Alban
Dimensões: 200x218cm
Ano de produção: 2023
Material: Pau D´arco